terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Um pouquinho de cinema hoje.


Depois desses desabafos que a gente sempre dá quando treme de raiva pela política, falemos um pouco sobre Cinema
Três coisas que estão me fazendo babar, mas ao mesmo tempo ter um certo friozinho na barriga:

1- Black Swan # Darren Aronofsky:

É um filme do nosso glorioso Darren, que já mostrou seu brilhantismo em filmes como Pi e Réquiem para um sonho. Nele, a deusa Natalie Portman estará com o papel principal. Muitas críticas tem sido bastante favoráveis e a maioria das pessoas especulam que será uma obra-prima.

A história é de uma bailarina que sempre se dedicou à dança como a coisa mais importante de sua vida. Com a chegada de uma nova bailarina, coisas estranhas passam a acontecer em sua vida.



2 - Melancholia # Lars Von Trier:

É um filme que contará com efeitos especiais, e trata de uma planeta chamado Melancholia, que está prestes a se chocar com a terra. Penelope Perfeita Cruz iria protagonizá-lo, porém, foi substituída pela Kirsten Dunst. Ok, já tirou 1/3 da provavel perfeição do filme.

3 - Danny Boyle:

Danny Boyle confirma que a sequência do filme Trainspotting sairá definitivamente do papel.
Eu só espero que um filme assim, sequenciado, não passe a ser clichê como a maioria dos filmes com a temática "drogas e mundo perdido" são.
A continuação do filme terá como base o livro "Porno", também escrito pelo escocês Irvine Welsh.


A NOSSA situação.

Sim. A NOSSA situação. com todas as letras que a palavra pode requerer; sem hipocrisia ou Socialismo envolvido na história.
Como andei sem tempo e com preguiça, deixei o blog um pouco de lado.
Mas hoje, ao ler o jornal, o meu corpo estremeceu: A nossa política, a cada dia que passa, desmorona um pouco mais, manchando com vergonha, nossos rostos. Porém Manaus - referindo-me, claro, ao organismo vivo que deveria ser- permanece em inércia, em cárcere silencioso, de mãos atadas...

Aqui vão três situações:

- Eduardo Braga será Ministro: Certo que isso é um acordo feito diretamente com a nossa atual Presidenta da República, porém, de onde vem o orçamento disponível para o salário de Braga e suas outras regalias pessoais? Tal dinheiro está vinculado ao pagamento de aposentadorias e pensões. Some, mais uma vez dos nossos bolsos, como vertigem, um dinheiro que deveria ser utilizado para a sociedade como um todo, principalmente no campo monetário.
Qual seria a alegação? A necessidade de um Ministro da Previdência? Ok. Eu sou a favor da organização política para funcionamento de um orgão supremo, no caso, a sociedade, mas não com um dinheiro destinado à uma situação quase emergencial do novo quadro brasileiro.
Nós não somos um país como a Itália, que ao entrar em colapso quando à população que envelhecia devastadoramente, pôde incentivar a ida de descendentes ao país.
Nós somos um país com uma realidade social corrompida (e eu nem vou falar desigual... porque isso já é de praxe) que sobrevive à uma realidade intragável. Não podemos nos dar ao luxo de possuir um Ministro da Previdência, sabendo que esse dinheiro será tirado de uma grande parte da população não-ativa, que trabalhou para conseguir esse dinheiro.
Um Eduardo Braga já foi um rombo grotesto na sociedade amazonense. E não há quem o possa defender simplesmente dizendo "Ele rouba, porém faz". A cicatriz está tatuada, resta-nos saber se mais um murro nos será dado... será dado a toda a população brasileira.

- A Educação: O Brasil, hoje, deu mais um vestígio de vergonha mundialmente. Ficou, entre sessenta e cinco países participantes de uma prova para conhecer o desempenho educacional, em quinquagésimo terceiro lugar. Aqui, em Manaus, a situação é ainda mais envergonhante. A capital, embora possua uma Zona Franca capaz de impulsionar uma qualificação técnica e educacional, só serve como corvil de exploração humana; Manaus investe menos em educação do que os dois estados mais pobres de toda nossa federação: Maranhão e Piaui. Enquanto o dinheiro todo está sendo jorrado em cima de Publicidade (8 milhões a cada ano) a juventude vai ficando marginalizada, jogada ao relento de uma cidade que a condena.

- O nosso Centro Histórico: Como se já não bastasse tudo que há, a Assembleia Legislativa do Estado ( ALE) realizou uma audiência aonde foi discutido o tombamento do Centro Histórico de Manaus. Para isso eu só posso doar um pouco do meu silêncio e minhas lástimas. O mínimo de cultura, se isso acontecer, será totalmente destruído.


É isso.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Meu olhar amador sobre a Europa.















Fotos de minha autoria.

Uma cronologia sobre as Pin-up's

O culto às mulheres na Arte não é algo novo, mas de certo a exposição de sua sensualidade é algo muito mais recente do que podemos imaginar. Talvez Botticelli tenha quebrado esse paradigma pintando "O Nascimento de Vênus", visto que antes o corpo da mulher era sempre coberto por roupas, impedindo a exaltação de sua própria natureza humana. Mas ainda sim, as pinturas que se seguiram no período Renascentista eram idealizações de deusas.

O Nascimento de Vênus - Sandro Botticelli

Após essa época, a desconstrução dessa "idealização" para mim foi feita particularmente no Expressionismo( influenciada pelo simbolismo e pós-impressionismo). As mulheres pelos pintores retratadas eram muito mais vulneráveis e pagãs. Vide obras de Egon Schiele(expressionista) e de Klimt(simbolista). Porém, essas obras embora retratem a natureza e sexualidade da mulher em sí não eram pontos de partida para a arte Pin-up

Alphonse Mucha, ilustrador e desing gráfico tcheco, que, influenciado pela art noveau retratou mulheres em posições sensuais, e é o muito provável antecessor dessa cultura, pois seus desenhos retratavam mulheres cortesãs (a exemplo de Sarah Bernhardt) com sensualidade e requinte, deixando para a mente do apreciador a imaginação e a criação.

As Pin-Up's vieram ao mundo declaradamente no período que diz respeito a primeira e segunda guerra mundial. Destinadas à exibição informal, as pin-ups constituem-se num tipo leve de erotismo. Foram tidas como válvulas de escape pelos soldados da guerra, que recebiam revistas com imagens. O que um homem cansado da guerra poderia querer, afinal? Sim, uma bela mulher ingênua e sensual.
(ps: Eu só não quero imaginar como era para esses soldados chegar em casa e ver que suas mulheres tinham engordado uns 20 kg, estavam com umas verrugas e fedorentas.)

Foi na década de 40, contudo, que as pin-up girls viveram o auge do sucesso. Numa época em que mostrar as pernas era atitude subversiva e ser fotografada nua, atentado ao pudor, lápis e tinta davam forma a essas mulheres, chamadas de “armas secretas” pelos soldados americanos. Betty Grable foi uma das mais populares dentre as primeiras “pin-ups”.

A Arte popular das Pin-up's, embora não tivesse nenhum cunho político na sua formação, muito influenciou no Feminismo. Na libertação individual da mulher. E ainda mesmo influenciou a arte de Andy Warhol e outros artistas da Pop-Art.

Segue abaixo desenhos de Gil Elvgren, um dos maiores artistas da art popular Pin-Up:


segunda-feira, 19 de julho de 2010

René Magritte

Nada como Magritte para abrir com chave de ouro um blog que muito possivelmente contribuirá para o crescimento intelectual e emocional das pessoas que o contemplarem.
Gostaria de vos apresentar um pouco sobre o Surrealismo, para que todos consigam compreender a magnitude dessa Escola Artística. O Surrealismo, nascido da total descrença humana, no período pós-guerra, surgiu para alimentar as almas jovens e livres desse mesmo período. Não podemos dizer que o Surrealismo é em suma um movimento dadaísta(considerado por muitos como a ralé artística) mas que de certo modo contempla esse movimento de forma muito mais captativa.
A minha primeira indicação seria O Manifesto do Surrealismo, de 1924, escrito e assinado pelo literato francês André Breton, profundo admirador das teorias psicanalíticas de Sigmund Freud.
Segue abaixo um trecho da parte inicial do manifesto:

"Tamanha é a crença na vida, no que a vida tem de mais precário, bem entendido, na vida real, que afinal esta crença se perde. O homem, esse sonhador definitivo, cada dia mais desgostoso com seu destino, a custo repara nos objetos de seu uso habitual, e que lhe vieram por sua displicência, ou quase sempre por seu esforço, pois ele aceitou trabalhar, ou pelo menos, não lhe repugnou tomar sua decisão (o que ele chama decisão!). Bem modesto é agora o seu quinhão: sabe as mulheres que possuiu, as ridículas aventuras em que se meteu; sua riqueza ou sua pobreza para ele não valem nada, quanto a isso, continua recém-nascido, e quanto à aprovação de sua consciência moral, admito que lhe é indiferente. Se conservar alguma lucidez, não poderá senão recordar-se de sua infância, que lhe parecerá repleta de encantos, por mais massacrada que tenha sido com o desvelo dos ensinantes. Aí, a ausência de qualquer rigorismo conhecido lhe dá a perspectiva de levar diversas vidas ao mesmo tempo; ele se agarra a essa ilusão; só quer conhecer a facilidade momentânea, extrema, de todas as coisas. Todas as manhãs, crianças saem de casa sem inquietação. Está tudo perto, as piores condições materiais são excelentes. Os bosques são claros ou escuros, nunca se vai dormir.

Mas é verdade que não se pode ir tão longe, não é uma questão de distância apenas. Acumulam-se as ameaças, desiste-se, abandona-se uma parte da posição a conquistar. Esta imaginação que não admitia limites, agora só se lhe permite atuar segundo as leis de uma utilidade arbitrária; ela é incapaz de assumir por muito tempo esse papel inferior, e quando chega ao vigésimo ano prefere, em geral, abandonar o homem ao seu destino sem luz. "

Foi a partir desse Manifesto Surrealista que surgiram renomados artistas como Marcel Duchamp, Man Ray, Salvador Dalí, Paul Devaux, Max Ersnt, Yves Tanguy, Joan Miró e o possivelmente mais credibilitado por mim: René Magritte.

René é considerado o principal surrealista belga. Muito embora suas obras sejam consideradas surrealistas e ilusórias é necessário compreender que a pretensão de Magritte não era confundir a percepção de quem conhecia suas obras e sim, libertá-los da visão medíocre da arte mimese (imitação da natureza) que existiam desde os primeiros retratos feitos e se estabeleceram com mais intensidade após o Renascimento. Magritte queria desconstruir a ideia pré-concebida por todos em relação à estética, à vida e ao ser em si. Magritte antes mesmo de ser Surrealista foi sobretudo um Realista apaixonado e esperançoso quanto às questões sociais e emocionais da época que viveu.






René Magritte - Les Amants, 1928

"Os Amantes" para mim é uma das mais grandiosas obras de René. Não apenas pela disposição lógica das cores ou pelo brilhantismo dos traços e sim pela contemplação de um assunto tão delicado: O relacionamento entre pessoas.
O pano cobrindo-lhes a face me leva a perceber a impossibilidade da real visão sobre ambos, o que me leva a entender que entre os dois só há o ato de sentir prematura e ilusoriamente, como dois ignorantes de sí mesmos.Para mim "Destruição" de Carlos Drummond de Andrade fala mais do que eu poderia sobre este quadro:


"Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.
Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar:
e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.
Nada, ninguém.

Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.
E eles quedam mordidos para sempre.
Deixaram de existir mas o existido
continua a doer eternamente."



Fica abaixo a maior obra de Magritte para mim - que eu guardo diretamente dentro da minha mera compreensão- para que possam refletir sobre a o transcendental que ela carrega.